A exposição “Balaiada – A luta sem fim” está sendo bastante prestigiada pelos visitantes que passam pelo corredor Ulysses Guimarães no Congresso Nacional, em Brasília-DF.

Iniciada no último dia 30 de maio, as fotografias de caráter histórico-cultural contando a história da revolta da Balaiada seguem sendo prestigiadas até o próximo dia 18 de junho, em alusão aos 180 anos do evento histórico.

A exposição é organizada pela segunda Vice-presidência e pelo Centro Cultural da Câmara dos Deputados em parceria com a Prefeitura de Caxias. . No próximo dia 07 de junho, uma Sessão Solene em homenagem aos 180 anos da Balaiada será realizada a partir das 09h05, no Plenário Ulysses Guimarães.

A historiadora Mercilene Torres, coordenadora do Memorial da Balaiada, que chegou em Brasília-DF nesse domingo (03) onde ficará até o final da exposição, destaca que muitas pessoas têm despertado o interesse em conhecer um pouco mais sobre a Balaiada. Uma média de 3 a 5 mil pessoas passam todos os dias pelo local onde está a exposição.

“A exposição está sendo bastante visitada. No dia de hoje tivemos a oportunidade de guiar os visitantes de diferentes cidades do Brasil, que elogiaram a exposição e muitos garantiram que visitarão Caxias, terra de muitos intelectuais da poesia. Elogiaram bastante a iniciativa da exposição acontecer em Brasília. Parabenizaram ao prefeito, ao secretário de Cultura, ao curador da exposição e disseram que o guiamento veio abrilhantar muito mais a exposição”, explica Mercilene Torres, historiadora e coordenadora do Memorial da Balaiada.

Além de visitantes de diversas partes do país, passaram ainda assessores, estudantes, funcionários da Câmara dos Deputados, advogados, professores, estudantes, jornalistas, fotógrafos, engenheiros, dentre outras pessoas.

No próximo dia 06 de junho embarcam também para Brasília Renato Meneses, assessor especial, e Arthur Quirino, secretário de Cultura, a fim de participarem da Sessão Solene em homenagem à Balaiada.

A Balaiada

A Balaiada foi motivada pelo descontentamento geral no período de 1838 a 1841, onde os escravos, vaqueiros, camponeses, a classe média e os próprios latifundiários estavam sentindo os reflexos da situação econômica crítica em que vivia o Maranhão naquele contexto.

O poder político era disputado por dois grupos da elite maranhense: os liberais exaltados, ou bem-te-vis, e os conservadores. Essa disputa resultou em confrontos sangrentos por todo o Maranhão. O conflito estourou em 1838, num confronto entre um dos partidários dos bem-te-vis, o vaqueiro Raimundo Gomes, e um político do grupo de fazendeiros conservadores. Aos poucos o movimento se espalhou pela província, que vivia uma situação de miséria.

Dentre os chefes da revolta estavam Raimundo Gomes (Cara Preta); Manoel Francisco dos Anjos Ferreira (Artesão – fazia cestos de vime e balaios) e Cosme (ex-escravo chefe de um quilombo). Negro Cosme, quando ocorreu a junção das diversas colunas de balaios na vila da Manga em março de 1839, levou para a revolta mais de 3.000 negros fugitivos.

Em Caxias a revolta da Balaiada ocorreu tanto no Morro do Alecrim, onde está simbolizada por meio das ruínas do quartel da Balaiada, como também por toda região central da cidade e nos arredores do Morro das Tabocas. Caxias foi palco da última batalha da revolta dos balaios, que lutavam por justiça social contra a opressão dos fazendeiros.

Após um ano de batalha, os balaios conseguiram tomar a cidade de Caxias, uma das mais importantes da província, onde estabeleceram o quartel-general. Mas com a nomeação de Luís Alves de Lima e Silva como presidente do Maranhão em 1840, o movimento foi reprimido duramente, deixando muitos mortos. Em Caxias, durante a retomada da cidade, morreu Manuel Francisco, o “Balaio”. Derrotados, muitos foram embora para o interior. Como prêmio, Luís Alves de Lima e Silva tornou-se “Barão de Caxias”.

 

 

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