Abertura Institucional do Encontro Regional das Quebradeiras de Coco destaca potencial do Babaçu

A abertura institucional do Encontro Regional das Quebradeiras de Coco, realizado dentro da programação do 3º Festival do Babaçu, reuniu representantes de diferentes segmentos da sociedade em um momento de valorização da cultura, da tradição e da importância econômica e social do babaçu. O encontro contou com a participação de artesãos, trabalhadores de comunidades quilombolas, quebradeiras de coco e representantes do poder público municipal, além de autoridades da Justiça Estadual e Federal.

Ajuda a conscientizar até mesmo as quebradeiras de coco, as oportunidades que elas têm. É uma atividade mais valorizada, e conscientizar as pessoas que estão deixando essa cultura morrer. Essa cultura vem agregar mais na renda com capacitação. É infinito o que extraímos do Babaçú”, frisa Conceição Oliveira, vice-presidente da Associação dos Artesãos de Caxias.

Faz-se o colar, flor, utilizamos a amêndoa, fazemos o leite, o azeite, o bolo, ou seja, do Babaçú se aproveita tudo. Essa cultura não pode morrer. As pessoas têm que fazer plantio. Esse evento valorizar as quebradeiras de coco”, destaca Gerlene Pereira, artesã.

Do Babaçú nós aproveitamos tudo. Eu faço jumentinho e outros artesanatos. E, tudo isso vende, a gente também está dando valor as quebradeiras de coco”, frisa Gracineide Coutinho, artesã.

O momento destacou o papel histórico das quebradeiras de coco na preservação dos conhecimentos tradicionais e na transmissão de saberes entre gerações. Mais do que uma atividade extrativista, o babaçu representa uma importante fonte de trabalho, renda, identidade cultural e sustentabilidade para diversas comunidades.

Estamos no 3º Festival do Babaçú. Estamos falando também dos direitos territoriais. É um momento grandioso, que gera conhecimento e conexão. Estamos recebendo as comunidades tradicionais em um momento enriquecedor de conhecimento. Hoje o Babaçú é negócio para a nossa comunidade”, frisa Neta Pinheiro, presidente da Associação dos Artesãos de Caxias.

O uso do Babaçú tem que ter um incentivo muito maior. Temos azeite, o bijú, toda a cadeia do Babaçú que deve ser explorada em forma de renda para a mesa das pessoas que fazem uso e têm o Babaçú como prioridade”, ressalta Ana Lúcia Ximenes, secretária municipal de Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres.

Durante o encontro, foram apresentados e debatidos os diferentes usos e possibilidades proporcionados pelo coco babaçu, evidenciando o potencial da palmeira para a produção de alimentos, artesanato, cosméticos, produtos derivados e outras iniciativas capazes de fortalecer a economia das comunidades e estimular novas oportunidades de geração de renda.

Quero registrar minha alegria de estar neste festival. Eu percebi o valor cultural de Caxias, e soube da Associação de Mulheres e a exploração em torno do Babaçú. A nossa história está conectada com Caxias. Hoje já se evoluiu para se reconhecer que é uma cultura, e as pessoas precisam de proteção. Existem leis sim, mas o que precisa mover este trabalho e dessa cultura é o diálogo, a aproximação, e mostrar a importância para toda a comunidade e toda uma cadeira produtiva, econômica e cultural”, ressalta Rosimeire Gonçalves, Desembargadora do TRF da 1ª Região e Coordenadora de Conflitos Fundiários.

A realização do encontro também reforçou a necessidade de ampliar o reconhecimento e a proteção dos saberes tradicionais, promovendo o diálogo entre comunidades, instituições públicas, Justiça e sociedade. A proposta do 3º Festival do Babaçu é justamente criar um espaço de integração, conhecimento e valorização de uma cultura que faz parte da história e da identidade da região.