Caxias do Maranhão é uma cidade que, ainda hoje, serve de referência para o país quando o assunto é a Literatura. É o berço de uma considerável plêiade de escritores e poetas de grande expressão no cenário literário nacional, a exemplo de Gonçalves Dias, Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras.

Mas, Caxias insiste em dar à luz a novos escritores e poetas, e pode ser chamada sem exageros de “cidade maranhense dos escritores e poetas”, dentre os quais: Jacques Medeiros, Edison Vidigal, Firmino Freitas, Libânio da Costa Lobo, Adailton Medeiros, Déo Silva, Cid Teixeira, José de Ribamar Cardoso, Manoel de Páscoa, Antônio Augusto Ribeiro Brandão, Joseane Maia, Frederico Ribeiro Brandão, José Ribeiro Brandão, Antônio Pedro Carneiro, Naldson Carvalho, Elany Morais, Wybson Carvalho, Edmilson Sanches, Inês Maciel, Renato Meneses, Ezíquio Barros Neto, Morano Portela, Jorge Bastiani, Silvana Meneses, Quincas Villaneto, Iris Mendes, Carvalho Júnior e outros tantos.

Hoje, 21 de fevereiro, é data de aniversário do escritor Coelho Neto; patrono da ACL um dos filhos mais ilustres do torrão sertanejo maranhense.
Henrique Maximiano Coelho Neto (Caxias, 21 de fevereiro de 1864 — Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1934), foi um escritor, político e professor brasileiro.

Biografia
Nascido em épocas antes na Vila de Caxias, interior do Maranhão. Foram seus pais Antônio da Fonseca Coelho, português, e Ana Silvestre Coelho, de sangue índio. Tinha seis anos quando seus pais se transferiram para o Rio. Fez os seus preparatórios no Externato do Colégio Pedro II. Tentou o curso de Medicina, logo desistindo.

Em 1883, matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, morando na pensão em que vivia Raul Pompéia, que também frequentava à Academia de São Paulo à época. Seu espírito irrequieto encontrou ali ótimo ambiente para destemidas expansões, e logo ele se viu envolvido num movimento dos estudantes contra um professor. Antevendo represálias, transferiu-se para a faculdade de Recife, onde completou o primeiro ano de Direito, tendo sido aluno do jurista e poeta, Tobias Barreto.

Regressando a São Paulo, dedicou-se ardentemente à campanha abolicionista e republicana, atitude que rendeu-lhe novos atritos com o corpo docente da Faculdade do Largo de São Francisco. Em 1885 desistiu, por fim, de suas pretensões jurídicas, e transferiu-se para o Rio de Janeiro.

Fez parte do grupo de boêmios que abrangia figuras da monta de Olavo Bilac, Luís Murat, Guimaraens Passos e Paula Nei. A história dessa geração apareceria depois em seus romances ‘A Conquista e Fogo Fátuo’, dedicado este ao amigo Francisco de Paula Ney, jornalista e brilhante orador conhecido por sua boemia e seu célebre anedotário. Tornou-se companheiro assíduo de José do Patrocínio, na campanha abolicionista. Ingressou no jornal Gazeta da Tarde, passando depois para a folha Cidade do Rio, a qual chegou a exercer o cargo de secretário. Desta época datam seus primeiros volumes publicados.

Em 1890, contraiu matrimônio com Maria Gabriela Brandão, filha do educador Alberto Olympio Brandão. Tiveram 14 filhos.

Foi nomeado para o cargo de secretário do Governo do Estado do Rio de Janeiro e, no ano seguinte, diretor dos Negócios do Estado. Em 1892, foi nomeado professor de História da Arte na Escola Nacional de Belas Artes e, mais tarde, professor de Literatura do Colégio Pedro II. Autor de numerosos livros, artigos, crônicas e folhetins, em 1910, foi nomeado professor de História do Teatro e Literatura Dramática da Escola de Arte Dramática, sendo logo depois diretor do estabelecimento. Eleito deputado federal pelo Maranhão, em 1909, e reeleito em 1917. Foi também secretário-geral da Liga de Defesa Nacional e membro do Conselho Consultivo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Além de exercer os cargos públicos, Coelho Neto manteve e multiplicou a sua atividade em revistas e jornais de todos os feitios, no Rio e em outras cidades. Além de assinar trabalhos com seu próprio nome, escrevia sob inúmeros pseudônimos, entre eles: Anselmo Ribas, Caliban, Ariel, Amador Santelmo, Blanco Canabarro, Charles Rouget, Democ, N. Puck, Tartarin, Fur-Fur, Manés.

Cultivou praticamente todos os gêneros literários, foi por muitos anos o escritor mais lido do Brasil, tendo provavelmente a sua maior consagração ao ser nomeado, em votação aberta ao público promovida pela revista O Malho, o “Príncipe dos Prosadores Brasileiros”, em 1928.

Foi provavelmente o prosador brasileiro mais lido nas primeiras décadas do século XX, tendo sofrido sua pessoa e sua obra furiosos ataques do Modernismo posterior à Semana de Arte Moderna de 1922, o que provavelmente colaborou no injusto esquecimento que o mercado editorial e os leitores brasileiros tem-lhe reservado.

Sua herma, obra do escultor português Pinto do Couto, fica na Praça Areal, na Estação de Coelho Neto.

Obras
O Rajá de Pendjab
Rapsódias
Sertão (1897)
A Bico de Penna
Água de Juventa
Romanceiro (1898)
Theatro, vol. I – Os Raios X (1897), O Relicário (1899), O Diabo no corpo (1899)
Theatro, vol. II – As Estações, Ao Luar, Ironia, A Mulher, Fim de Raça (1900)
Theatro, vol. IV – Quebranto (1908), comédia em 3 actos, e o sainete Nuvem
Theatro, vol. V – O dinheiro, Bonança (1909), e o Intruso
Fabulario
Jardim das Oliveiras
Esfinge
Inverno em Flor (1897)
Apólogos, contos para crianças
Miragem (1895)
Mysterios do Natal, contos para crianças
O Morto (1898)
Rei Negro
Capital Federal (1899)
A Conquista
Tormenta (1901) (até então já havia escrito 24 obras e produzia mais 5, dito nos estudos de literatura brasileira de José Veríssimo)
Tréva
Banzo
Turbilhão (1904)
O meu dia
As Sete Dores de Nossa Senhora
Balladilhas
Pastoral
Vida Mundana
Patinho torto (1917)
Às quintas
Scenas e perfis
Feira livre
Immortalidade
O Paraíso (1898)
Bazar
Fogo de vista (1923)
Theatro lyrico
Os pombos

Curiosidades

Era um torcedor apaixonado do Fluminense Football Club, tendo composto um hino para o clube, mas que não fez sucesso. Seu filho, João Coelho Neto, conhecido como “Prego (e depois “Preguinho”)”, entretanto, foi um dos mais importantes personagens do clube, destacando-se em oito modalidades, sendo um dos maiores artilheiros no futebol do Tricolor e seu segundo maior cestinha no basquete. Preguinho também foi o autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai.

Cultivou praticamente várias tendências literárias. O naturalismo, o impressionismo, o regionalismo, o realismo, entre outras. É classificado como escritor pré-modernista. Fez o primeiro roteiro para um filme nacional, “A Cidade Maravilhosa”, na década de 1930, pois tinha inventado o apelido em um artigo em “A Notícia” (ler o verbete Cidade Maravilhosa).

Academia Brasileira de Letras
Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Álvares de Azevedo, tendo chegado à presidente da Casa de Machado de Assis.

Academia Caxiense de Letras
O escritor Henrique Maximiliano Coelho Neto é o Patrono da Academia Caxiense de Letras e com seu nome distingue a Casa das Letras Caxienses como a “A Casa de Coelho Neto”.

Pesquisa (Resumida): Wybson Carvalho
Fonte: ABL via internet – Literatos Brasileiros.