Rodas de conversa promovem reflexão sobre saúde mental e os desafios do envelhecimento

Os idosos que integram os Centros de Convivência de Idosos do conjunto Cohab e do bairro Castelo Branco participaram de rodas de conversa em alusão à campanha Setembro Amarelo. Os encontros foram momentos de diálogo, escuta e reflexão sobre a valorização da vida, a saúde mental e os desafios enfrentados pela pessoa idosa.

“A gente foca na saúde mental, mas quando se trata de idosos eles são um público alvo, eles estão no grupo de risco, as vezes a família abandona. A gente foca na importância da convivência, pois é um fator de proteção. Aqui no Centro de Convivência de Idosos tem nutricionista, atividade física, tudo isso ajuda o idoso”, destaca Tainã Rocha, psicóloga.

“Quando os idosos chegam aqui, eles chegam com esse quadro de ansiedade, as vezes vão perdendo parentes, eles vão entrando em solidão. Mas aqui eles conversam com a gente. Sem este acolhimento que nós fazemos fica difícil, e, como aqui nós criamos um vínculo forte com eles, eles acabam se abrindo, falando o que estão sentindo e acaba ajudando a cada um deles”, frisa Teresa Cristina, supervisora do Centro de Convivência de Idosos.

Durante as atividades, foram discutidas situações que podem fazer parte da rotina de quem envelhece, como a solidão, mudanças na dinâmica familiar, perda de pessoas próximas, aposentadoria, redução da autonomia, limitações físicas e a necessidade de adaptação a novas fases da vida. Com isso, manter relações sociais e ter espaços onde seja possível conversar, participar de atividades e construir novas amizades pode contribuir para o bem-estar.

“É importante, pois já vai preparando a gente para quando sairmos da instituição. A gente sabe que o mercado é desafiador, mas é importante esse contato para que possamos sentir na prática. Os professores já falam que é pra irmos nos adaptando”, destaca Adriane Stéfane, estudante de psicologia.

Os Centros de Convivência de Idosos assumem um papel importante nesse processo. Além de oferecer atividades e momentos de lazer, esses espaços favorecem a convivência, fortalecem vínculos e ajudam a manter os idosos inseridos na vida comunitária. Para muitos participantes, estar no Centros de Convivência de Idosos significa ter um lugar para encontrar amigos, conversar, aprender, se divertir e sentir-se parte de um grupo

“A minha vida aqui no Centro é muito boa, mas graças a Deus tenho me dado muito bem. Essa companhia dos amigos é muito boa. No dia que não venho pra cá, eu me sinto só”, destaca Jacy Carneiro Mota, assistido.

A saúde mental pode representar diferentes coisas para cada pessoa. Para os idosos que participaram das rodas de conversa, ela está relacionada também à possibilidade de viver com dignidade, ser ouvido, manter vínculos, ter autonomia, sentir-se útil e contar com pessoas com quem possa compartilhar alegrias e dificuldades.

“Hoje fizemos esta roda de conversa, para trabalhar o quanto somos importantes para nós mesmos. Tivemos atividades e roda de conversa, onde eles puderam dialogar sobre a sua convivência e sua vida”, disse Cintia Moura, supervisora do Centro de Convivência de Idosos.

Cuidar da saúde mental não significa apenas lidar com situações de sofrimento. Também envolve cultivar hábitos e relações que favoreçam o bem-estar, como manter uma rotina ativa, praticar atividades físicas de acordo com as condições individuais, alimentar-se adequadamente, participar de atividades sociais, manter contato com familiares e amigos e procurar ajuda profissional quando necessário.

“A gente tem que se cuidar, não importa a idade, porque a gente tem que se amar, para poder amar o próximo. As vezes os idosos ficam sozinhos e dá depressão, ficam deprimidos e tristes. A gente tem que estar no Centro de Idosos, que é o local que acolhe a gente”, disse Francisca Ferreira, assistida do Centro de Convivência de Idosos do bairro Castelo Branco.