Representantes de 15 comunidades quilombolas de Caxias participaram de um momento de escuta e roda de conversa com autoridades municipais, estaduais e federais durante o Círculo da Paz, realizado dentro da programação da Praça de Justiça e Cidadania no Caxias Shopping.
O supervisor do Núcleo de Práticas Restaurativas da Justiça Federal do Maranhão e mediador do círculo, Silvio Brito, falou sobre o objetivo do Círculo da Paz. “O poder público vai atuar e precisa conhecer bem de perto a realidade. Muitas vezes, políticas públicas são geradas sem que os principais destinatários tenham conhecimento e participação. A ideia de fazer círculos de paz é uma prática restaurativa que traz o empoderamento das comunidades e faz com que essas demandas sejam escutadas e atendidas de uma maneira mais equilibrada, rápida e eficaz por parte dos agentes públicos”, explicou.
Foram debatidos temas como saúde, educação, regularização fundiária, segurança pública, iluminação pública, meio ambiente, empreendedorismo e diversas outras demandas. Os representantes tiveram a oportunidade de relatar desafios enfrentados no dia a dia da comunidade e apontar as necessidades prioritárias para o desenvolvimento dos territórios quilombolas.
Claudiana Silva, líder comunitária do Quilombo Soledade, destacou que se sentiu ouvida. “Eu vejo que esse momento é para que a gente possa ser ouvido, porque não só a minha comunidade, mas todas que estão aqui, porque realmente já tinha sido solicitado, e com esse momento aqui está sendo respondido com essa ação. O que a gente espera é que as nossas solicitações sejam atendidas. A gente sabe que dificilmente vamos conseguir todas, mas pelo menos as mais urgentes”, disse.
“Eu me sinto muito feliz em hoje estar falando os meus problemas de frente às autoridades. Não é diferente para as outras comunidades quilombolas. Para nós que vivemos vulneráveis, foi um avanço muito bom que o município e que as secretarias se juntaram, todo mundo, para esse mutirão”, destacou Francisco Alves, líder comunitário da Usina Velha e Mulatas.
Rosa Maria, líder comunitária do Quilombo Olho D’água do Raposo, também destacou a importância do diálogo com as comunidades. “Um momento muito bom, onde a gente está expondo as nossas necessidades e está aqui sendo ouvido, porque as autoridades competentes de todas as demandas que a gente está precisando estão todas aqui, ouvindo a gente. Um momento desse é muito importante”, disse.
As demandas apresentadas foram registradas pelas instituições participantes, que devem analisar as possíveis ações a serem realizadas dentro de suas áreas de atuação, abrindo espaço para a construção de políticas públicas e contribuindo para a garantia de direitos e a melhoria da qualidade de vida da população.
“Todas as comunidades aqui foram mapeadas e são trabalhadas pelo município de Caxias, só que hoje é o dia D de conciliação com os demais secretários, para que nós possamos trabalhar de forma intersetorial e resolver as demandas das comunidades. Hoje é uma escuta para que as lideranças dessas comunidades saiam daqui com suas questões resolvidas”, ressaltou Fracyanne Barradas, Secretária Adjunta de Direitos Humanos.
O momento reuniu representantes da Prefeitura de Caxias, secretarias municipais, Defensoria Pública, Polícia Civil, Polícia Militar e Justiça Federal e serviu para aproximar as comunidades dos órgãos públicos, fortalecendo os canais de diálogo.
O Prefeito de Caxias, Gentil Neto, participou da escuta e destacou o quanto é importante ouvir quem mais precisa dos serviços públicos. “O diálogo é a melhor forma para que a gente possa transformar a vida do nosso povo caxiense. Aqui são 15 comunidades que estão sendo representadas pelos seus líderes, e a gente tem escutado para saber o que é prioridade de fato e poder elaborar esse cronograma de execução desses grandes sonhos da comunidade, sejam a médio, a pequeno ou a longo prazo”, finalizou.