Procissão do Fogaréu encena busca e prisão de Cristo há 23 anos e reforça tradição na Semana Santa em Caxias

Nos bastidores, os atores se prepararam cedo para encenarem a maior história de amor de todos os tempos, a de Jesus, o Cristo, pela humanidade. Alguns participam desde o início, outros estão chegando mais recentemente, mas o objetivo é um só: contar ao mundo que um dia Jesus deixou um grande ensinamento para a humanidade.

“Eu participo há 23 anos. Eu fui carpideira, contrarregra, organização e mulher de Jerusalém. Para mim é surreal participar. E, quando eu estou atuando, eu não sou Rosilene, eu me sinto como se eu estivesse no passado”, frisa Rosilene Rodrigues, Personagem de Mulher de Jerusalém.

“Eu faço o papel de mulher de Jerusalém e é uma emoção muito grande. É muito bom participar, é sem explicação, só participando para se ter ideia”, disse Célia Regina, Personagem de Mulher de Jerusalém.

“Estou participando pelo terceiro ano. Esta procissão é uma das maiores do Brasil, que coloca Caxias no circuito do Brasil”, disse João Marcos, Personagem de Fariseu.

“É um momento de muita concentração, espiritualidade, porque, se não tiver, a gente não consegue realizar. O personagem de Jesus é a história mais bonita da face da Terra. Há uma necessidade da espiritualidade estar presente, que é para estar melhor, que é levar a mensagem de Cristo. Esse é o sentido da Semana Santa e do Fogaréu: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, disse Marcos Xavier, Personagem do Cristo.

A Procissão do Fogaréu de Caxias é a 2ª maior do Brasil e, há 23 anos, Caxias encena em palco a céu aberto e pelas ruas de Caxias, na Quarta-feira de Trevas, momentos representativos que marcam a busca e prisão de Cristo. Atualmente, a Procissão do Fogaréu é Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão.

“A Procissão do Fogaréu encena a prisão de Cristo, às vezes as pessoas confundem, achando que é Paixão de Cristo, mas não. A Procissão é feita com tochas e luzes apagadas na cidade. É toda uma atmosfera do passado. A Procissão do Fogaréu tem um cunho folclórico, cultural, turístico e paralitúrgico. Toda a parte teatral é cultural, mas fala de forma simples e passa o evangelho de Jesus. Ela é paralitúrgica porque tem a presença do Bispo e do Padre, para que eles possam fazer o sermão e tragam a palavra da Igreja”, disse Léo Barata, Idealizador da Procissão do Fogaréu.

“Mais um ano da Procissão do Fogaréu, um evento que está há 23 anos na cidade de Caxias, para o qual vem muita gente de fora, que movimenta o turismo, que movimenta a economia, mas, acima de tudo, fortalece a nossa fé”, disse Gentil Neto, Prefeito de Caxias.

Após as encenações em frente à Igreja Catedral de Nossa Senhora dos Remédios, sob o rufar dos tambores, a população, com tochas em punho, ganha o Centro Histórico de Caxias em procissão à procura de Cristo. A tradição do Fogaréu remonta ao século XVIII. Um dos símbolos da procissão são os farricocos, com túnica comprida de cores variadas e um longo capuz cônico e pontiagudo, traje de origem medieval, que era utilizado por soldados romanos, mas também por penitentes que desejavam ser perdoados dos pecados.

“O farricoco representa o soldado romano e um dos personagens que representa os penitentes que queriam o perdão dos pecados. E eu, como farricoco-chefe que carrego o estandarte, é um prazer, esta que é a segunda maior do Brasil”, frisa Jardenilson Machado, Personagem de Farricoco.

Outro momento marcante foi o corredor da reflexão, em que foram expostas algumas cenas de situações vividas na atualidade, com o objetivo de provocar na sociedade a transformação para uma vida de retidão e sintonizada com valores de civilidade e respeito. Mais que um evento, a Procissão do Fogaréu busca repassar, de forma simples, por meio do teatro, um pouco do que viveu Jesus em nome da humanidade e lembrar a todos de que o amor ao próximo e a si mesmo devem guiar a vida humana.

“Não é uma história de livros, é uma história real. E nós procuramos reconhecer a importância de Cristo por toda a eternidade. As encenações têm nos ajudado nisso. Os espaços da reflexão retratam quadros da realidade do nosso povo. É um valor que a Igreja tem, e a gente incorpora as realidades do povo de Deus”, disse Dom Sebastião Lima Duarte, Bispo da Diocese de Caxias.

“Tem muitos que veem e não querem seguir, e tem outros que aprendem. Jesus foi muito importante e morreu por nós”, disse Antônia Alves, caxiense.

“A gente não tem a dimensão de como aconteceu aquilo na vida de Jesus, e aqui temos a representação nas imagens. Os sinais que foram colocados aqui nos trazem uma forma de reviver a forma como aconteceu naquela época”, disse Moisés Gonzales, professor.