Prefeitura de Caxias e Juizado da 2ª Vara da Comarca de Caxias tratam com catadores do bairro Teso Duro sobre geração de renda

Uma reunião com catadores de materiais recicláveis que trabalham e vivem da atividade realizada no lixão controlado de Caxias, localizado no bairro Teso Duro, foi realizada na Escola Jadihel Carvalho. O encontro reuniu secretários municipais, representantes do Juizado da 2ª Vara da Comarca de Caxias, da Associação dos Catadores, do Comitê Gestor na área ambiental do bairro São Francisco, do Fórum Ambiental da Vara Cível de Caxias e outros representantes.

“Com o fechamento do lixão, que é uma determinação federal, as pessoas não terão acesso ao lixo. E nós estamos aqui com a associação, com o juizado. O Estado tem intenção de construir um centro de triagem. Nós vamos trabalhar também um projeto de logística reversa com eles. O galpão que vai ser construído com o Estado vem com van elétrica, prensas e outros materiais. Eles vão precisar ser treinados”, destaca Etinho Lemos, secretário adjunto de Meio Ambiente.

Também participou da reunião uma representante de uma cooperativa do município de Coroatá, que desenvolve um trabalho considerado exitoso no aproveitamento e na reciclagem de materiais. A experiência foi apresentada como uma possibilidade de inspiração para a construção de alternativas que possam garantir a continuidade da atividade dos catadores e a geração de renda por meio da reciclagem.

“Lá nós envolvemos as pessoas, os catadores, empresários e hoje temos mais de 100 pessoas trabalhando com a gente em Coroatá. Eu vejo aqui, em peso, os secretários envolvidos. Sem parceria não chegamos a lugar nenhum. É motivo de honra para os catadores o município estar demonstrando interesse em trabalhar por esta causa, que é tão importante”, destaca Marilena Vieira, presidente da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Coroatá.

“Eu não tenho palavras para falar sobre isso. É uma alegria ver que tem muita gente que já está entendendo. Desde 2019 estamos nesta luta. São poucos que estão acreditando que vai dar certo, mas é algo que vai acontecer. E acredito que vai dar tudo certo”, disse Valquíria, presidente da Associação de Catadores de Material Reciclável do Teso Duro.

A proposta é construir, em conjunto com os catadores, soluções para o aproveitamento dos materiais recicláveis após o encerramento das atividades do atual lixão controlado de Caxias. A mudança está relacionada à implantação do Aterro Sanitário, cuja primeira célula tem previsão de entrar em operação nos próximos seis meses. Com o funcionamento do aterro, o lixo produzido no município deixará de ser destinado ao atual lixão. O objetivo das discussões é preparar os catadores para essa nova realidade, buscando alternativas que valorizem o trabalho realizado por esses profissionais e fortaleçam a coleta, a separação e a comercialização dos materiais recicláveis. A intenção é transformar o desafio do encerramento do lixão em uma oportunidade para ampliar a reciclagem, promover inclusão social e garantir melhores condições de trabalho e renda para as famílias que dependem dessa atividade.

“Tem uma lei de 2010 que proíbe os lixões. O processo já existe, e o Judiciário, com o Fórum Ambiental, entende que, em seis meses, vamos ter a primeira célula do Aterro Sanitário. Daqui até lá, tem que começar o trabalho de conscientização para iniciar a separação do lixo. Nós estamos trabalhando como moradores, estamos trabalhando na conscientização das pessoas. A população também tem que ajudar. A gente vai chegar ao patamar em que a população vai ter que separar o seu próprio lixo. O município vai fiscalizar e mapear”, frisa Jardel Oliveira, integrante do Comitê Gestor na área ambiental do bairro São Francisco e integrante do Fórum Ambiental da Vara Cível de Caxias.

“A construção do aterro, a licença já saiu, e nos próximos seis meses teremos a construção da primeira célula. E, logo depois, vai iniciar o plano de recuperação do lixão. Neste caso, nenhum lixo vem mais para o lixão. Grande parte do resíduo precisa ser reciclado. Estas pessoas precisam ter o seu centro de reciclagem para que possam receber uma remuneração pelo trabalho digno em um local salubre. O Judiciário vem acompanhar, porque nós temos o cumprimento de uma sentença que determina isso”, destaca Jorge Leite, juiz da 2ª Vara da Comarca de Caxias.