O lançamento do fotolivro “Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão: Produção Tradicional e Economia Solidária”, na tarde da última quinta-feira (30), marcou um momento de valorização da ancestralidade e dos saberes tradicionais maranhenses. A obra reúne imagens que retratam o cotidiano das quebradeiras de coco babaçu do interior do Maranhão, acompanhando todas as etapas do trabalho, desde a extração do coco até a produção final dos produtos.

Marilene Silva foi uma das quebradeiras de coco que protagonizaram o fotolivro e falou sobre o sentimento em participar. “A gente se sente um pouco mais valorizada, porque até então, antes a gente não era tão valorizada e não conhecia tantos produtos do babaçu. Hoje em dia, com essa pesquisa, a gente conseguiu adquirir conhecimentos com outras meninas de outras localidades, trouxe o conhecimento para a gente. Hoje a gente já produz biscoitos do Babaçu, bolos, óleo e várias outras coisas. O livro nos deixou para a história”, ressaltou.


O fotolivro é resultado de uma pesquisa associada a um projeto de intervenção voltado às quebradeiras de coco babaçu do Maranhão. Por meio das fotos, a publicação mostra histórias de vida e o trabalho, que sustenta centenas de famílias na zona rural. Em Caxias, as imagens foram produzidas nos povoados Nazaré do Ferré, Cajueiro, Belém, Lavras, Santa Rita, Trabalhosa, Jenipapo II e Jaboti.


Scheila Alves, uma das autoras do livro e pesquisadora, falou sobre o surgimento da ideia para a criação do fotolivro. “Iniciou no mestrado, em 2014, quando eu comecei a estudar, a compreender as condições de vida, trabalho e saúde das quebradeiras de coco babaçu. Em 2014, foi com as quebradeiras de Itapecuru Mirim. Em 2016, eu iniciei o doutorado, e quando eu fui pensar, a partir da pesquisa de 2014, onde as próprias quebradeiras me orientaram o que eu poderia fazer para melhorar as condições de trabalho, foi pensado num posto ergonômico de trabalho e eu comecei a trabalhar isso no doutorado, além de outras ações voltadas para a educação e saúde das quebradeiras de coco. A partir dessa pesquisa que eu fiquei aqui em Caxias, a pesquisa de campo já foi em Caxias, de 2018 a 2020, em vários povoados, envolvendo os três distritos. Foram muitas ações que fizemos, oficinas, a validação das intervenções para a saúde e gerou muito material, muitas fotos”, explicou.



O objetivo da obra foi reconhece e valorizar a contribuição das mulheres quebradeiras de Coco Babaçu para a economia, para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável. Eliana Napoleão, coordenadora do projeto no Estado do Rio de Janeiro, ressaltou o objetivo. “Todo projeto vem em torno de dar visibilidade, de dar um reforço para essa imagem dessas quebradeiras de coco babaçu, para a luta, para o movimento que elas têm em defesa dos babaçuais, da geração de renda. Muitas dessas mulheres são chefes de família, sustentam, criam seus filhos com o trabalho e com o trabalho que gera produtos para toda a sociedade, gera valor para o nosso país, valor econômico mesmo, e é um trabalho”, disse.

A iniciativa contou com o apoio da Prefeitura de Caxias, por meio da Secretaria Municipal de Atividades Produtivas e Inspeção Animal, valorizando os grupos contribuem para o desenvolvimento social e econômico do município.
A Secretária Municipal de Atividades Produtivas e Inspeção Animal, Luciana Soares, falou sobre o apoio ao projeto, “Nós fomos o elo entre as pesquisadoras e as quebradeiras de coco aqui do município, para que elas pudessem aplicar a pesquisa e daí saiu o resultado das dissertações que surgiram. No final disso tudo o lançamento desse fotolivro. É um trabalho extremamente importante porque ele não exclui ninguém de entender o trabalho da quebradeira de coco”, finalizou.










