Caxias foi palco de um importante momento de valorização da cultura e das manifestações populares brasileiras com o encerramento do 2º Encontro das Procissões do Fogaréu do Brasil. O evento reuniu representantes de 37 cidades de nove estados brasileiros, proporcionando um intercâmbio de histórias, memórias e tradições que fortalecem a identidade cultural do país e contribuem para a preservação do patrimônio histórico e cultural caxiense.
“A preservação do movimento é importante para as futuras gerações. Nosso objetivo é passar de geração a geração. Na minha cidade, nós realizamos há 63 anos, de forma simples. Mas, da forma que está hoje, só há 15 anos”, frisa Edson, de Banzaê, na Bahia.
“É uma marca do registro do processo de formação do Brasil. O Fogaréu vem com a chegada dos Jesuítas. É significativo ter esses encontros. Lá nós realizamos há 4 anos”, disse Evandro Teles, de Cícero Dantas, na Bahia.
“Eu sou católico, já carreguei o Mastro de São Sebastião, participo das procissões, sou muito católico. E ver esta imensidão de pessoas que vêm de fora é muito importante para nós”, frisa Sebastião Dantas, caxiense.
O movimento de salvaguarda das Procissões do Fogaréu foi encerrado nesse sábado (31) com a reapresentação da tradicional Procissão do Fogaréu de Caxias, manifestação religiosa e cultural realizada há 23 anos no município. A programação começou com uma encenação teatral no adro da Igreja Catedral de Nossa Senhora dos Remédios e Palácio Episcopal.
“Caxias recebeu mais de 30 cidades do Brasil, e a OCAT está reapresentando a Procissão do Fogaréu, mostrando como Caxias faz. O Fogaréu já tem mais de 20 anos em Caxias. A gente sabe que começou em Goiás, mas que em Caxias ganhou um diferencial, que tem também o apoio da Prefeitura de Caxias”, frisa Maciel Mourão, secretário municipal de Cultura e Patrimônio Histórico.
“Está sendo uma experiência magnífica receber pessoas de 9 estados do Brasil. Mais de 150 turistas que estão aqui e fazem as procissões do Fogaréu, que pela primeira vez vêm a Caxias beber na fonte da sabedoria da cidade. Uma série de coisas foram realizadas, e hoje nós estamos reapresentando a Procissão do Fogaréu. Porque a vontade deles era ver a procissão aqui, mas eles estão realizando as deles”, disse Léo Barata, fundador da Procissão do Fogaréu.
Em seguida, com tochas em punho, os participantes percorreram as principais ruas do Centro Histórico de Caxias. Com as luzes do Centro Histórico apagadas, a iluminação das tochas ganhou destaque, proporcionando um cenário de grande simbolismo e emoção. O momento que representa a prisão de Cristo foi encenado na Igreja do Rosário, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.
“Eu morava em Timon e passei a morar em Caxias, fui convidada e vim participar. Eu acho que é muito bonito, dá para perceber como Jesus viveu”, disse Antônia Alves, espectadora.
“A gente às vezes não tem tempo de ler a Bíblia, mas quando a gente está aqui, a gente se comove, porque a gente se vê na terra onde Jesus estava realizando os ensinamentos”, disse Erica Emanuele, espectadora.
O encontro reforçou a importância da união entre as cidades brasileiras que preservam essa manifestação cultural, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento das iniciativas de salvaguarda. A Procissão do Fogaréu representa um patrimônio de histórias, sentimentos e pertencimento, reafirmando a importância de preservar as tradições populares e transmitir esse legado às futuras gerações.
“Esta é a primeira vez que vejo a Procissão do Fogaréu. É manter a cultura do povo e a religiosidade do povo viva”, ressalta Irmã Vera, moradora de Fortuna (MA).
“Nós não temos a cultura do Fogaréu. Nós temos a tradição de celebrar, e o contato que eu tive com o Fogaréu foi em Oeiras (PI). O que busca retratar a vida de Jesus ajuda a vivenciar o mistério que é o centro de nossa fé”, ressalta Padre Vagner, de Brasília (DF).